Liturgia – Conceitos

📖 A Liturgia BDSM representa a forma como TOP e bottom irão vivenciar suas relações e relacionamentos, como será
a postura que cada um deve ter perante sessões, eventos e até mesmo no dia a dia em sua relação e em seus
relacionamentos.
É certo que a liturgia é algo muito particular de cada relação ou relacionamento, porém devem ser observados alguns
pilares o qual o BDSM nos coloca, como por exemplo o SSC, o respeito pela hierarquia e pela simbologia existente no
BDSM, além de condutas e protocolos que são esperados pelo meio.
Portanto, o verdadeiro significado da Liturgia BDSM vai muito além de somente postura do Top e do bottom, da
simbologia, rituais e protocolos, pois a liturgia é a forma como se guia a relação e o relacionamento, como o Top orienta
e ensina sua bottom a servi-lo, conforme seus desejos e vontades sempre respeitando os limites e buscando aflorar a
essência de sua bottom. Com respeito a ética, moral e com responsabilidade.
A importância da liturgia ao iniciar a caminhada no BDSM é total, pois os rituais, pilares, protocolos, simbologias e
posturas nos permite ter uma noção do que é o BDSM, de como adentrar nesse meio sem ofender e nem ultrapassar
limites, nem mesmo fazer que tudo vire uma bagunça, afinal existe todo um contexto que deve ser respeitado para que o
BDSM não seja apenas sexo apimentado.
” Assim, temos a discussão a respeito da Liturgia, elemento frequentemente mencionado pelos praticantes, mas
cujo caráter elusivo, ora de regra de conduta, ora de ritualística, ora de elemento simbólico, torna difícil a tarefa
de classificação do que seria a Liturgia BDSM … Em um primeiro momento, a Liturgia seria um conjunto de
regras e rituais, de princípios básicos, ligados a uma crença religiosa. No entanto, o exercício da obediência na
adoção de uma liturgia religiosa, da aceitação dos dogmas religiosos no contexto de prática da fé, pelo menos na
nossa sociedade ocidental, cristã, está ligado ao modelo do pastorado e ao alcance da salvação através de atos
de expiação do indivíduo, guiados pela figura do pastor. O caso da comunidade BDSM, logo, seria curioso, dada
a falta de uma figura religiosa elevada em relação aos demais, cuja função seria guiar as “ovelhas” em direção a
um ideal estimado, a falta de rituais sagrados praticados em público, em comunidade, análogo às missas, e onde
os rituais de expiação, de punição, não objetivam o alcance de uma suposta pureza espiritual, mas sim a
satisfação dos prazeres e desejos daqueles que praticam, sejam na privacidade do quarto ou nos olhos do
público, nas cenas realizadas em eventos. Afinal, o que seria a Liturgia BDSM, senão as regras de conduta, os
rituais previstos, os elementos simbólicos das interações, tudo isso junto? ”
(Trecho extraído do trabalho acadêmico publicado; Fonte: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-
AZPMHV/1/andressa_dissertacao_final.pdf)
Quando falamos em LITURGIA dentro do BDSM, muitas vezes temos a impressão de que estamos lidando com algo
que al mesmo tempo seja delicado como a casca de um ovo e ao mesmo tempo é forte e intenso, e pode conter tudo o
que vai precisar alinhar tudo, absolutamente tudo que vai precisar no BDSM.
Então, porque é que sempre se pronuncia essa palavra, estamos mexendo em um vespeiro, ou em alguma coisa
absolutamente intocável.
Tenhamos em mente, que quando lidamos com um conjunto de regras de conduta, sempre será um tabu.
Se fizermos uma analogia para tentar simplificar o entendimento digamos que em termos jurídicos a LITURGIA seria
como a CONSTITUIÇÃO, e dentro dela existem uma série de “REGRAS”, “ETIQUETAS”, “RITOS”; etc., que dentro do
BDSM são também conhecidos como PROTOCOLOS que novamente comparados aos termos jurídicos, seriam as
“LEIS” que fazem parte desta Constituição.
O Grande problema, é que no BDSM, NÃO existe o TOMO, a Bíblia do BDSM, nem a CONSTITUIÇÃO do BDSM.
A partir desta ideia inicial, entendemos a delicadeza do tema, pois se cada um faz sua própria regra, como podemos
assim dizer que existe um NORTE a ser seguido?
Se você pensar ainda que cada indivíduo, cada grupo, evento, região terá a sua, e em muitos outros lugares no planeta,
nem mesmo será chamado de LITURGIA, o que então deve-se esperar? Continuaremos a tratar como um tabu ou
aprenderemos a lidar com as suas diversas versões? NoTalvez você acabe se questionando, porque é que mesmo que devo entender a LITURGIA se como bottom, vou seguir o que meu dono mandar eu seguir. Ou talvez se pergunte, como TOP, eu ditarei as regras e fim de assunto. Ou ainda, o que exatamente isso vai mudar em minha vida, em minhas relações e relacionamentos? Na prática, somente a vivência vai dizer: quando sair da condição de conforto. Quando estabelecer outras vivências, talvez em outros países, ou mesmo em outros estados, outras comunidades. Mais uma vez é necessário o entendimento que não há um “MANUAL DEFINITIVO DO BDSM”. Conceitualmente você escolherá ser ou não ser litúrgico, conhecer ou não a liturgia, mesmo que na prática você já o faça sem perceber. Muitas vezes por mera apropriação, outras vezes por repetição, pois viu e ouviu tantas vezes, se se tornou comum, e não sabe mais diferenciar ou identificar. Dada a liberdade de escolha, isso refletirá diretamente em seu convívio. Se fizermos outra analogia, em um evento, onde haverá uma recepção formal, com jantar idem (talheres, copos, lavanda e guardanapo), você estará pronto para sentar-se a mesa e fazer essa refeição? O fato de comer pizza com a mão em sua casa, não quer dizer que necessariamente você desconheça as “regras de etiqueta a mesa”. Mais uma vez, essa escolha será somente sua. Como é que você quer viver “O SEU BDSM”? Diferente do futebol, não conseguimos usar o jargão de Arnaldo Cesar Coelho e dizer: – “A REGRA É CLARA”. Mas conseguimos determinar um “norte” plausível para essa vivência no BDSM. Retomando o raciocínio e a temática, nas relações, os rituais e regras são criados conforme os gostos e conhecimentos do Top.

Há quem diga não ser necessária, mas sem a verticalidade, por exemplo, o BDSM seria só mais um jogo erótico, um fetiche, um lugar comum (ou terra de ninguém por assim dizer) e são justamente estas pequenas (e muitas vezes grandes) diferenças que separam o joio do trigo. Com ela sabemos o que devemos fazer, o que falar e como falar, aprendemos ser educados, gentis, aprendemos que um bottom deve saber ser sutil e delicado em seus movimentos e palavras, a forma “correta” de tratamento usando sempre Senhor/Senhora aos TOP’s e Switchers, e não em sua forma simplória (o que não é errado), mas nunca os tratar por “você”. Uma iniciante que nunca foi em um ambiente Litúrgico, não sabendo sobre liturgia “possivelmente” seria envergonhada por seus comportamentos baunilhas, como por exemplo ao sentar em uma cadeira, chamar o Top de você, cutucar ao falar, o que poderia não ser visto com bons olhos, se não houver intimidade o bastante entre quem está interagindo. Ao ler sobre o assunto, aprendemos que: o chão “pertence” ao bottom, falar se for permitido, (o bottom não é um robô, mas deve-se saber o momento de se pronunciar, sem ser inconveniente), também é ensinado o que deve-se usar em sessão, cenas, a cor da roupa, tudo isso varia de lugar para lugar, e de Top para Top. Quanto mais se entender sobre esta subcultura, menor a chance de errar, por isso a importância de entender o que significa, e sua importância na comunidade BDSM e ao estudar aprendemos como nos portaremos, teremos um norte, para saber a maneira correta de pronomes e tratamentos aos demais, conheceremos as bases, as práticas e as diferentes formas de relações e relacionamentos. Outra coisa ao conhecer esse vasto assunto, saberemos identificar e distinguir um TOP de um APROVEITADOR (da mesma forma para as / os bottoms, e sendo responsáveis por nossas escolhas, então é importante estudar muito, e nunca parar de buscar o conhecimento. Com tudo não basta apenas estudar e ler as diferentes fontes, é interessante VIVENCIAR, se encontrar com pessoas do meio, para conversar, trocar experiências, viver o real. MINI GLOSSÁRIO: LITURGIA [Do gr. leitourgía, ‘função pública’, pelo lat. ecles. med. liturgia, ‘culto divino’. ] Substantivo feminino.

1.O culto público e oficial instituído por uma igreja; ritual:
A liturgia católica;
A liturgia anglicana;
(Fonte: Dicionário Aurélio)
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opinião e experiência de cada um.
Atenciosamente
Adm’s G.E.M.A. 😊